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TESTAMENTO DE UM HOMEM DE BOM SENSO
Quando eu morrer, não faças disparates Nem fiques a pensar: "Ele era assim..." Mas senta-te num banco de jardim, Calmamente comendo chocolates. Aceita o que te deixo, o quase nada Destas palavras que te digo aqui: Foi mais que longa a vida que vivi Para ser em lembranças prolongada. Porém, se, um dia, na tarde em queda, Surgir uma lembrança desgarrada, Ave que nasce e em vôo se arremeda, Deixa-a pousar em teu silêncio, leve Como se apenas fosse imaginada Como uma luz, mais que distante, breve.
Carlos Pena Filho (Recife- 1929 – 1960) ____________________________ Enviado por Amélia Pais http://barcosflores.blogspot.com/
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